O que é a RENAPAM?

A música tem o poder de agregar e expandir a sensibilidade humana gerando maior empatia e compaixão entre os seres humanos, trazendo benefícios ímpares à vida em sociedade. Ao mesmo tempo, neurocientistas não param de descobrir novas vantagens cognitivas e emocionais para a saúde daqueles que desenvolvem o hábito de tocar um instrumento musical em qualquer idade. É com esse pensamento em mente, que nasce a Rede Nacional de Pianistas Amadores – RENAPAM.

Muitos de nós, estudamos piano clássico quando mais jovens. No entanto, assim que entramos na idade adulta, abandonamos o instrumento para focarmos em nossa profissão e na família e nos acostumamos a conviver com a falta da música que foi tão importante para o nosso desenvolvimento quando jovens.

Mais tarde, graças à uma maior disponibilidade de tempo alcançada com a estabilização profissional e o crescimento dos filhos, decidimos que é hora de voltar ao piano e espanar a poeira das partituras. E é nesse momento que nós nos deparamos com o cenário de escassez no Brasil de espaços de ensino e de aprimoramento musical, sobretudo voltados à uma faixa etária mais madura.

Em toda a Europa, assim como nos Estados Unidos, tem crescido em número, a cada ano, a oferta de cursos, festivais e oficinas voltados exclusivamente ao público adulto amador. Trata-se de um público-alvo em expansão já identificado em diversos mercados. Isso se deve sobretudo ao aumento da expectativa de vida na maioria dos países – o que nos permite hoje usufruir de uma segunda fase adulta em bom estado de saúde física e mental até os 70, 80, quiçá até mesmo aos 90 anos de idade.

Em sintonia com o que acontece lá fora, mais e mais brasileiros, na faixa etária acima de 45 anos, voltam-se ao aprendizado de um instrumento musical e buscam aprimorar sua prática. No entanto, pianistas interessados em música clássica ou erudita esbarram em inúmeros obstáculos para seguir seu aprendizado: desde a tarefa de localizar professores que atendam às demandas dos alunos de idade mais avançada até a total ausência de espaços de troca de experiências com outros pianistas clássicos adultos amadores.

Os cursos, festivais e oficinas de música clássica promovidos no Brasil, mesmo quando não impõem um limite de idade para participação – o que é raro -, têm como foco, exclusivamente, o desenvolvimento de jovens pianistas de excelência para futura premiação em concursos e subsequente profissionalização.

A possibilidade de estudo e performance no piano pelo simples desfrute do amor pela música e pelo instrumento, única motivação do pianista amador, não se encaixa na missão das instituições de ensino de música clássica brasileiras.

 

 

A partir desse pensamento, a RENAPAM tem como objetivos centrais:

  • A criação de espaços de troca de experiências da prática e estudo do piano para adultos amadores;
  • Proporcionar aos adultos amadores, a vivência e o aprimoramento do estudo do piano em grupo;
  • A difusão do conhecimento de práticas de ensino musico-instrumental para o público adulto amador com vistas a despertar interesse pelo tema na academia e demais instituições de ensino musical;
  • Formação de público para a música clássica, por meio de apresentações abertas a serem realizadas tanto por pianistas profissionais quanto amadores;
  • Afirmar o compromisso com a democratização da arte em todas as esferas e escalas, em todas as faixas etárias, ampliando o acesso às mais diversas manifestações musicais;

Contribuir para ampliar o conhecimento do público em geral de forma descontraída por meio de recitais-didáticos a serem realizados tanto por profissionais quanto por pianistas amadores.

Acreditamos que a promoção do encontro de pianistas amadores com profissionais de diferentes localidades do país terá força multiplicadora tanto na formação de novos profissionais de ensino como de público interessado na escuta e prática da boa música – sem fronteiras, preconceitos ou rótulos.

Por ser uma arte com imenso poder de acesso às sensibilidades mais profundas do ser humano, a música é também um meio para formação da personalidade dos mais jovens e eficaz revigorante físico e emocional dos mais velhos, como diversos artigos científicos confirmam.

Por meio da escuta e prática de um instrumento, exercitamos questões humanas essenciais como criatividade, disciplina, concentração, respeito, capacidade para ouvir e dialogar, e, com a sua continuidade ao longo dos anos, evitamos doenças como Alzheimer, mal de Parkinson e depressão, para citarmos só algumas já identificadas pela medicina.

O projeto contribui ainda para a democratização do acesso à música, dirigindo-se a uma faixa etária normalmente negligenciada pelas instituições de ensino no Brasil e escolhendo, como sede do evento, a cidade serrana de Teresópolis, cidade de tradição de festivais.